• A situação contrasta visivelmente com os anos anteriores em que a Fundação viveu momentos de dificuldades orçamentárias e necessitou recorrer a empréstimos para atender seus compromissos. A nova proposta orçamentária foi aprovada por unanimidade pelo Conselho Curador da FEA, em sua última reunião, no dia 22 de outubro passado, o que leva sua diretoria a acreditar que, se 2015 foi o ano da estabilização operacional da Fundação, 2016 há de ser o início de um ciclo de crescimento e consolidação da sua capacidade de apoio às atividades de pesquisa e inovação da Embrapa. O presidente da FEA, Alexandre Barcellos, explica aqui os novos planos.

    O que significam consolidação e crescimento nesse estágio da vida da Fundação?

    Num primeiro momento, consolidação significa o equacionamento de dívidas da Fundação, contraídas para sua alavancagem inicial e para superação de problemas não previstos, e significa investimentos em TI (equipamentos e software) para aprimorar o sistema de gestão dos projetos via Web, dando maior agilidade e confiabilidade no seu acompanhamento. Se conseguirmos, como estamos prevendo, aplicar em 2016 cerca de R$ 46 milhões nos projetos já contratados, nós teremos os recursos necessários para esses investimentos e para quitar cerca de 13% dessas dívidas. Num segundo momento, consolidar significa ampliar o apoio dado à Embrapa e a seus pesquisadores e técnicos. Hoje, nós apenas gerenciamos os projetos captados pela Embrapa. Queremos, no futuro, ajudar a captar novos projetos e até mesmo financiar alguns projetos, lançando editais de interesse da Embrapa. Para isso é preciso crescer, é preciso fortalecer a Fundação, ampliando sua carteira de projetos e gerando mais superávits operacionais para que ela tenha os recursos para lançar os editais.

    O senhor disse "se conseguirmos". Por que a dúvida?

    Não se trata de dúvida, mas do fato inconteste de que imprevistos acontecem e pode ser que não se consiga realizar tudo o que foi planejado. Executar o orçamento não depende apenas da vontade dos pesquisadores e da Fundação, mas de condições reais de operacionalização. Se um pesquisador adoece ou se não se consegue importar um equipamento, o projeto pode parar. Parando o projeto, atrasa o depósito da parcela do agente financeiro, e a Fundação não recebe aquela remuneração. Mas, o consumo de água, energia, telefone, internet, salários, etc., não para. Se não recebe, como pagar dívidas ou fazer investimentos nos prazos estipulados no orçamento? Um aprendizado essencial para nós da Fundação e da Embrapa nesses anos é de que há uma grande interdependência entre uma fundação e a instituição que ela apoia. Assim como é verdade que a instituição de pesquisa e seus parceiros precisam que a fundação gerencie alguns projetos por questões de simplicidade operacional, agilidade, etc., também essa fundação precisa que os projetos sejam executados dentro do cronograma, senão ela sofre. Já tivemos situações em que projeto de R$ 12 milhões ficou parado por seis meses. Significa que a Fundação ficou "olhando" para milhares de reais que, por contrato, eram sua remuneração, sem poder usá-los para pagar suas despesas. Mas hoje vivemos outros tempos e estamos todos, a Fundação, a Embrapa e seus pesquisadores, bem mais ágeis e experientes, fazendo tudo fluir com normalidade.

    Por que a Fundação teve que se endividar e em que medida isto é um problema?

    A dívida nunca foi um problema. Foi uma solução. O principal soma pouco mais de um milhão de reais e seu pagamento já está equacionado. Durante algum tempo, até 2015, pagamos apenas os juros, mas a partir de janeiro de 2016 passaremos a pagar também o principal e já no fim do primeiro ano devemos quitar perto de 13% dela. Cerca de 30% dessa dívida se deve o fato simples de que nos seus primeiros meses uma fundação não tem projetos, não tem renda, mas tem custos desde o primeiro dia. A FEA, quando criada, recebeu uma doação da CrediEmbrapa para enfrentar esses primeiros momentos, mas a captação de projetos nos primeiros meses se revelou mais difícil que o esperado e esse período de carência se alongou mais que o previsto. A FEA foi então socorrida de novo pela CrediEmbrapa com um empréstimo-ponte para o giro até a consolidação de uma carteira de projetos suficiente para arcar com seus custos. Nesse episódio aprendemos que precisaríamos fazer um investimento em equipamentos, instalações e pessoas, para profissionalizar mais a gestão da fundação e, sobretudo, a captação de projetos. O restante da dívida veio por incidentes de percurso. Por exemplo, a cada dois anos, precisamos renovar o credenciamento da fundação junto aos ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia e Inovação. Na transição entre duas administrações, a negociação do contrato de relacionamento entre a Embrapa e a Fundação se alongou um pouco mais e perdemos os prazos de renovação do credenciamento. Resultou que, sem o credenciamento, ficamos vários meses sem poder captar projetos novos, sem aumentar a renda, e com custos maiores. Um novo empréstimo ponte foi necessário. Mas, como disse, tudo isso já está equacionado.

    Como a Fundação conseguiu superar toda essa sequência de dificuldades?

    Antes de tudo, com o apoio da CrediEmbrapa, que em dois momentos nos deu a tranquilidade financeira para cuidar dos outros problemas. Mas, todos sabemos, o maior impacto desses incidentes é na credibilidade da organização. A FAEE também foi extremamente importante nesses momentos com o seu aval, bem como outras instituições da Rede Vida da Embrapa. Tivemos nesse caso um apoio irrestrito do Ministério Público Federal, encarregado de cuidar das fundações, que não só nos ajudou muito na compreensão de tudo o que nos possibilitava a Lei das Fundações, mas, sobretudo, nos deu um endosso enorme, perante a diretoria da Embrapa, quanto à correção de todos os nossos procedimentos e, através dela, perante os dirigentes de várias instituições parceiras. Uma vez avalizados por todos esses parceiros, tornou-se claro para as instituições financiadoras, com as quais trabalhamos, que todos os problemas se deviam a eventos fortuitos e de que havia segurança nos processos de gestão da fundação. Com o apoio da Diretoria da Embrapa superamos a questão do credenciamento e pudemos nos dedicar a fundo na profissionalização da gestão, no aumento da captação e na melhoria do perfil dos projetos. Essa foi uma grande mudança. Do final de 2012 ao início de 2015, evoluímos de uma carteira de muitos projetos de pequeno valor, de cerca de R$ 20 milhões, para uma montante razoável de R$ 100 milhões, com um equilíbrio interessante, em termos de valor, entre projetos grandes, médios e pequenos.

    O que tem ajudado mais: o aval de credibilidade ou a profissionalização?

    Uma coisa está ligada à outra. Tão logo resolvemos o problema do credenciamento, que atestava a normalidade de nossas ações, nos dedicamos a reestruturar a gestão da FEA. Dividimos a gestão em três gerências – a executiva, a financeira e a de projetos – e passamos a buscar profissionais bem qualificados e experientes, com habilitações que nos faltavam. Fizemos uma avaliação cuidadosa de todos os problemas enfrentados no passado e mudamos muitos procedimentos. A execução e acompanhamento dos projetos, bem como a solução de problemas, se tornaram mais dinâmicas, mais ágeis, melhoramos a comunicação com os coordenadores de projetos, ampliando o entendimento das regras que orientam a execução dos projetos por fundações, sobretudo aqueles com recursos públicos, e mantemos a nossa documentação em dia, de sorte que estamos habilitados a interagir com agencias de fomento e instituições de pesquisa nas esferas municipal, estadual e federal, estabelecer convênios, fazer licitações, proceder a importações, compras e contratação de serviços, enfim, o que necessário for para a execução do projeto. O ponto importante é que temos nos esforçado para que o nosso comprometimento com a qualidade da gestão nos faça ser procurados não apenas por pesquisadores, mas também por agências de fomento interessadas na execução de projetos, e isto tem acontecido.

    Que tipo de organizações e instituições de fomento têm seus projetos gerenciados pela FEA?

    Bom, temos projetos financiados por grandes órgãos governamentais, como o BNDES, a Finep, a Anvisa, o INCRA e o próprio MAPA; por organismos internacionais como a JICA, a FAO, o Instituto Max Planck, da Alemanha e a coreana RDA; por grandes cooperativas, como a Cocamar, empresas transnacionais do agronegócio, como a John Deere, a Monsanto, a Syngenta, a BASF; empresas fora da agricultura, como a mineradora Anglo American Brasil e até mesmo a Usina Hidrelétrica de Jirau, ou empresas de menor porte, como a gaúcha Maltaria Vale. A maioria desses projetos é executada por pesquisadores da Embrapa, mas a FEA também gerencia projetos para outras organizações como o INPA, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, e a Secretaria de Assuntos Estratégicos, da Presidência da República. Independentemente de seu porte ou setor ou de quem seja o executor do projeto, todas essas organizações precisam e exigem agilidade administrativa e gerencial, rigor contábil e transparência, de maneira que tê-los em nosso portfólio nos obriga a estar sempre procurando boas práticas de gestão.

    Como a Fundação é ressarcida por seus gastos com a gestão dos projetos?

    A princípio, a Fundação recebia apenas 5% do valor dispendido com o projeto, seja na compra de um equipamento ou reagente, seja na contratação de serviços. Essa prática era deficitária e contribuiu significativamente para as dificuldades financeiras dos primeiros anos. É parte fundamental de nosso aprendizado compreender que esses 5% cobriam apenas os chamados gastos indivisíveis, ou seja, aquelas despesas que não há como dividi-las em função de características ou de ritmo de execução do projeto, tais como aluguel das instalações da FEA, fornecimento de energia, água, internet e com impostos e taxas. Após alguns estudos, percebemos que há também custos divisíveis, por ações cuja demanda varia em função do tamanho e complexidade do projeto e aumentam os custos de gestão. Imagine por exemplo um projeto que demande a importação de muitos equipamentos e reagentes. Vai demandar mais tempo de assessoria contábil e tempo de despachantes, com toda a papelada necessária para a Receita Federal e o desembaraço alfandegário, do que a maioria dos projetos, o que onera a gestão desse projeto em particular. Além disso, a Fundação tem que manter organizados e seguros todos os documentos do projeto, por período de cinco a dez anos após o encerramento do contrato, por razões legais. Isto é custo além do tempo do projeto. Após vários estudos, conseguimos estabelecer que esses custos normalmente correspondiam, em média, a 3% do valor do projeto. Começamos então a pactuar, há cerca de um ano, o rateio desses custos com os coordenadores dos projetos e com as instituições financiadoras, dos quais recebemos elevada compreensão e receptividade. Essa mudança ajudou muito na sustentabilidade financeira da gestão dos projetos. Então, em média, passamos a receber 8% do valor dos projetos, para custear as despesas de gestão, mas continuamos bastante competitivos, já que em muitas fundações, o custeio da gestão dos projetos consome de 9% e 15% do seu valor.

    Os projetos que requerem o apoio da fundação são mais complexos?

    Não necessariamente. Há projetos de todo tipo. Há aqueles que transcorrem o tempo todo dentro de um laboratório, testando sementes, ou controles biológicos, o que é bastante corriqueiro para a vida da Embrapa. Há projetos maiores como o de fomento ao ILPF, que é multitarefa, com atividades de P&D e de transferência de tecnologia, em todos os estados, e requer até eventos internacionais como o recente Congresso Internacional sobre Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, o que nos levou a um patamar acima em termos de complexidade de gestão. E há alguns que são simplesmente desafiadores, porque não há parâmetros de gestão antecedentes que possam ser seguidos, como é o caso da construção da Torre Alta da Amazônia, um projeto do MCTI/Inpa, financiado em parceria pela FINEP e pelo Instituto Max Planck, da Alemanha, projeto cuja gestão estamos finalizando. A torre vai fazer o monitoramento dos gases de efeito estufa e de alterações climáticas a dezenas de metros acima do dossel da floresta amazônica. Imagine o desafio técnico, logístico, operacional e gerencial que é construir a mais alta torre de monitoramento ambiental do mundo, com 325 metros de altura, numa base quadrada de 3,60m por 3,60 m, de no meio de um nada em termos de urbanização, ou seja, no meio da floresta, a 247 quilômetros de Manaus, que requer quatro horas de carro até o povoado de Balbina, onde está a hidrelétrica de mesmo nome, mais duas horas de barco até a sede da Reserva de Uatumã, e mais 13 quilômetros de trilhas no meio da mata até o local da torre. Tivemos dificuldades para orientar a licitação, de suprimento num local sem estradas, greve de operários, prestação de contas no Brasil e na Alemanha, enfim toda a sorte de situações pedindo soluções rápidas e precisas. Conseguimos vencer essas dificuldades todas, graças a um perfeito entendimento entre os coordenadores Dr. Claudio Manzi, do Brasil, e Dr. Jurgen Kesselmeier, da Alemanha, e os gestores da FEA. Isto tem acontecido com a maioria dos projetos que a Fundação administra.

    De quem é a iniciativa do projeto: da fundação, do pesquisador ou da instituição financiadora?

    O mais frequente é que parta do pesquisador, que detecta o problema, imagina o projeto, busca quem pode financiar e o gestor. Mas também acontece de uma instituição, que tem interesse na solução do problema e capacidade de financiar o projeto, buscar a equipe de pesquisadores e o gestor. A fundação propor projetos a pesquisadores e financiadores é possível, é algo que desejamos, mas é uma articulação mais complexa e mais rara. O importante é crescermos nessa articulação entre pesquisadores, financiadora e fundação, pois ela facilita a execução do projeto. No início, acontecia de sermos procurados por pesquisadores com um projeto já aprovado e contrato já assinado com a organização financiadora. Por falta de experiência, os contratos não previam situações problemáticas e a execução se tornava difícil. Evoluímos para uma situação em que os projetos e os contratos são discutidos e negociados previamente entre as três partes e, com isso, conseguimos evitar muitos problemas de execução, porque o melhor da experiência de cada parte é colocada na construção do projeto.

    Então, todos os problemas de consolidação e credibilidade já estão resolvidos?

    Avançamos muito, mas há muito mais por fazer. Ainda há muitos pesquisadores da Embrapa que não conhecem a Fundação e a julgam pelas notícias dos problemas do passado e pelas experiências traumáticas de fundações anteriores que foram desativadas. Temos um longo caminho a trilhar, de contatos, conversas, de prospecção de problemas e soluções, e de projetos futuros. Muitos pesquisadores recorrem a outras fundações para gestão de seus projetos. Achamos que eles devem ter essa liberdade. Mas queremos que eles se sintam seguros de que podem contar com a Fundação Eliseu Alves, se assim o desejarem. Afinal, ela foi criada para apoiar a Embrapa e seus pesquisadores.

    Secretaria de Comunicação da Embrapa.


    A Fundação Eliseu Alves – FEA parabeniza a iniciativa da  Embrapa, que através do seu Departamento de Gestão de Pessoas – DGP, promoveu o encontro de integração para seus novos empregados, contratados a partir de 2014.

    O evento teve como público alvo os pesquisadores, analistas, técnicos e assistentes, que puderam conhecer a estrutura e o funcionamento da Embrapa, seus valores, politicas, objetivos, principais sistemas e processos de trabalho. 

     

     

    A Fundação Eliseu Alves, parceira no projeto de construção da maior torre de observação do mundo, vem agradecer a obstinação e dedicação das equipes técnicas envolvidas na construção da torre.
    Mesmo com todas as dificuldades de logística para desenvolvimento da construção do maior observatório vertical do mundo, no meio da floresta amazônica, a montagem da estrutura foi concluída com sucesso, totalizando incríveis 325 metros de altura.
    . Consideramos isso um grande feito, pois apesar das dificuldades encontradas nos primeiros meses de implantação da torre, a excelente equipe de engenheiros, técnicos e operários, responsáveis pela construção daquele observatório, conseguiram manter as metas estabelecidas pelo cronograma físico do projeto.
    Para os pesquisadores envolvidos neste grandioso empreendimento, informamos que a expectativa é de que até o final do mês de dezembro de 2014, a torre esteja totalmente instalada, para em seguida receber todos os equipamentos científicos de monitoramento que serão fixados na torre, que estão sendo adquirido pela Fundação Eliseu Alves, com os recursos repassados pela FINEP e Max Planck.

    Crédito Imagem:UOL

    Crédito Imagem: Globo.

    Uma torre de 325 metros de altura para pesquisas científicas está sendo instalada na Amazônia, ficará pronta até o final deste ano. O observatório amazônico será nominado de Torre Alta (ATTO, na sigla em inglês), o projeto é uma cooperação entre os governos do Brasil (Ministério da Ciência e Tecnologia através da FINEP) e da Alemanha.
    A Fundação Eliseu Alves tem orgulho de fazer parte desse grandioso projeto, contribuindo de forma efetiva na gestão administrativa e financeira.

    A estrutura será ligeiramente mais alta que a Torre Eiffel (aproximadamente 318 metros), terá como função estudar a composição química da atmosfera sobre a floresta, principalmente sobre os níveis de CO2, além de elementos como nitrogênio e fósforo.  Projeto similar a este, em tamanho, só há igual no pequeno povoado de Zonito, que fica na Sibéria e a cerca de  3 mil km da capital da Rússia, Moscou. Entretanto, conforme a opinião do pesquisador e coordenador geral do projeto Dr. Manzi, este será mais completo. Ele considera que o projeto ATTO será referência mundial em pesquisas sobre florestas tropicais, já que não há programa igual sendo executado neste tipo de ecossistema.

    Como parceira para execução do projeto ATTO, e por consequência, testemunha do envolvimento incondicional do pesquisador Dr. Manzi e demais colaboradores para a realização desse projeto, a Fundação Eliseu Alves parabeniza e ratifica sua participação nesse grandioso empreendimento científico e tecnológico, por considerá-lo importante para o Brasil e para mundo. 


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